DIAGNÓSTICO DE MORTE DO CADÁVER CARBONIZADO

Muito comum depararmo-nos com cadáveres carbonizados em cenas de crimes. O questionamento básico diante dessa casuística é: A vítima morreu em virtude da queimadura ou o meio fora utilizado para mascarar a real causa mortis? A literatura médico-legal traz os seguintes meios para se analisar se o indivíduo estava vivo no momento em que foi submetido ao agente vulnerante térmico:

1. Sinal de Montalti – Presença de marca enegrecida na árvore respiratória em decorrência da aspiração de fuligem;
2. Presença de fuligem nas vias digestivas;
3. Presença de carboxihemoglobina (HbCO) no sangue, em percentual acima de 50%. 

** Importante registrar que a determinação, na perícia, de que a morte ocorreu por ação do fogo nem sempre é tarefa fácil. Di Maio chega a afirmar que, através do exame macroscópico, é usualmente impossível distinguir formas agudas de queimaduras produzidas em vida daquelas produzidas post mortem. Mesmo o exame microscópico da área da lesão não se apresenta proveitoso, a não ser que a vítima tenha sobrevivido tempo suficiente para desenvolver uma resposta inflamatória.