História de Sucesso: da pobreza à aprovação no cargo de Delegado de Polícia

O Canal Carreiras Policiais inaugura hoje a série: “Histórias de Sucesso”. Para tanto, disponibilizamos a seguir a trajetória percorrida por nosso professor até a tão esperada aprovação no cargo de Delegado de Polícia, apresentando as dicas e desafios do mundo dos concursos públicos:

“Meu nome é Wallace França de Melo e como sempre digo em minhas aulas:

Sou Agente Penitenciário Federal; Antes disso, sou Professor! E antes de ser Professor, sou concurseiro. Isso mesmo, meus caros, sou um eterno concurseiro!

Inicialmente é um prazer poder apoiá-los na batalha dos concursos públicos.

Na caminhada de concurseiro, já vi e vivi muita coisa e aprendi que nessa vida tudo é possível, basta querermos (1° passo).

No final do ano de 2002, eu assisti a um comercial na TV que perguntava o que eu faria em 2003. Dei-me conta de que o ano de 2002 fora o pior ano de minha vida. Eu trabalhava numa lanchonete e ganhava R$ 350,00 à época. Meus pais eram (são) camelôs em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro e, nesse bendito ano, eu trabalhava de 17:00 h até a 01:00 h da madrugada e, pela manhã, fazia o segundo ano do ensino médio em uma escola estadual (Colégio Estadual Jardim Alvorada).

Acho que aquela reportagem mudou a minha vida (arrepio-me até hoje em lembrar). No início de 2003, resolvi abandonar o ensino médio e perseguir meus sonhos. Entrei no cursinho Tamandaré e comecei a estudar para o Colégio Naval e para a EPCAR (Escolas Formadoras de Oficiais da Marinha e da Aeronáutica). Em apenas oito meses de estudo (muito estudo...), fui aprovado no Colégio Naval e na EPCAR (gabarito em matemática). Como não sabia nadar, fui para a EPCAR.

Ser aluno de uma escola militar, com um estudo diferenciado, era o meu sonho e eu me sentia realizado, dali em diante minha vida mudou completamente.

Em 2005, quando ainda era aluno da EPCAR, fui aprovado na EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército), mas resolvi não abandonar a Escola Preparatória (EPCAR).

Em 2007, fui para a AFA (Academia da Força Aérea) para ser cadete aviador da aeronáutica; no entanto, sentia que meu sonho de crescimento na área jurídica era limitado pela vida militar e pela carreira.

Em 2008, saí da aeronáutica e dediquei-me totalmente aos concursos públicos. Naquele ano, prestei concurso para Oficial da Polícia Militar de Minas Gerais, para a Polícia Rodoviária Federal, para a Junta Comercial do Rio de Janeiro e para o Ministério do Trabalho e Emprego. Fui aprovado em todos eles, mas, como sempre, fiquei em cadastro de reserva (foram os seis meses mais intensos da minha vida).

Minha expectativa era ser chamado para o curso de formação da PRF; apesar de ter ficado fora do número de vagas previstas inicialmente no edital, havia a promessa de convocação de mais candidatos; infelizmente tal não ocorreu; foi aquele balde de água fria. Não sabia o que fazer. Peguei R$ 80,00 que ganhara na fazenda de meu sogro colhendo maçã, a única quantia de que dispunha, entreguei-os à minha esposa e pedi-lhe que efetuasse minha inscrição no concurso para o DEPEN (Departamento Penitenciário Federal).

Como a prova seria no dia 15 de fevereiro (em apenas um mês), não tive outra opção senão me doar totalmente ao concurso. Nesse mês, estudei todo o edital, chegando à marca de estudo de umas 12 horas por dia e utilizando todas as técnicas de aprendizagem/memorização que podia utilizar (eu estava no desespero...rsrs).

Quando entreguei a prova no dia 15 de fevereiro ao fiscal de sala, tinha toda certeza do resultado positivo. Tornei-me Agente Penitenciário Federal no fim de 2009 e, logo que cheguei à cidade de minha lotação (Catanduvas), iniciei a faculdade de direito.

Em 2011, fui chamado para a Polícia Rodoviária Federal e para a Jucerja (Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro), mas decidi não ir e, talvez, por esse motivo, desejei voltar à rotina dos concursos públicos.

Retornei e, ainda no quarto período da faculdade, passei na 1° fase para Delegado de Minas Gerais. Fiquei tão empolgado que realizei minha inscrição para o concurso da Polícia Legislativa do Senado Federal e também logrei êxito, no entanto, fui reprovado na segunda fase de delegado de Minas Gerais.

O ano de 2012, por ter passado no concurso do senado, foi praticamente todo dedicado às demais fases e à vida de Professor de Legislação Penal Especial, Direito Penal, Direito Processual Penal e matérias correlatas; antes disso, desde 2009, eu ministrava aulas de Raciocínio Lógico-Matemático e Matemática Básica.

Enfim, no início de 2013, descobri que o Senado não estava querendo nomear, então, mais uma vez, voltei à vida dos concursos públicos. Como estava sem tempo por ministrar muitas aulas e ainda no sétimo período, resolvi fazer tudo o que aparecia.

Realizei a prova para Analista do TRT/PR (não passei), para Delegado de Goiás (foi anulada), para Delegado do Paraná (passei), para OAB (passei na 1° fase e a segunda fase não pude fazer), para Delegado do Mato Grosso do Sul (passei), para o MPU (fiquei por uma questão), para Delegado Federal (fiquei por três questões), para Juiz do Paraná (não passei) e para MPGO (fiquei por uma questão).

Bom, essa é a minha experiência em concursos públicos, para quem se perdeu, segue lista abaixo:

·         Colégio Naval – 2003

·         Escola Preparatória para Cadetes do AR – 2003

·         Escola Preparatória de Cadetes do Exército – 2005

·         Curso de Formação de Oficial da PM de Minas Gerais - 2008

·         Polícia Rodoviária Federal - 2008

·         Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro -2008

·         Agente Penitenciário Federal – 2009

·         Delegado de Polícia de Minas Gerais (1° fase) – 2011

·         Polícia Legislativa do Senado Federal – 2012

·         Delegado de polícia do Paraná (em andamento) – 2013

·         Delegado de Polícia do Mato Grosso do Sul (em andamento) - 2013

Bom, atualmente, estou assumindo o cargo de Delegado do Mato Grosso do Sul, no curso de formação foram quase 50 provas em apenas 2 meses e meio, muito estudo, noites mal dormidas,  mas a batalha continua...

Como técnica de estudo, costumo utilizar a seguinte: Distribuo todas as matérias do edital dentro de uma semana, pois na semana seguinte de estudo já estarei revendo o conteúdo de determinada matéria. Gosto de estudar duas ou três matérias por dia, de forma que estude mais aquelas matérias que terão um peso maior no concurso. A sequência de estudos tem de ser lógica: Primeiro se estuda o conteúdo, depois a letra seca da lei, alguns informativos e, por último, questões. Nas últimas semanas antes do edital, estuda-se pela letra seca da lei ou resumos e muitas questões para afinar o conteúdo.

“O verdadeiro mestre não é aquele que é conhecedor aprofundado de sua matéria, mas aquele que descobre a alma de cada educando, para que possa suprir suas necessidades.”

Um grande abraço!

Wallace França”