O Mecanismo do Milagre, por Hugo Richard

O corpo humano é com certeza a obra mais avançada, complexa e extraordinária que conhecemos. Superando em muitas vezes qualquer computador ou máquina, quanto mais a ciência o estuda, mais descobre coisas fascinantes que explicam algumas dúvidas e abre horizontes de infinitas possibilidades. O cérebro humano oferece mistérios que, mesmo com toda evolução, os cientistas não conseguem explicar. O corpo possui imensa inteligência consciente e inconsciente, tudo para o manter em perfeito funcionamento e garantir sua sobrevivência, mas certamente o fato de um aglomerado de partículas se juntar e formar uma criatura consciente, inteligente e pensante, talvez seja o maior mistério do corpo humano e certamente um dos maiores de toda humanidade. É exatamente na parte inteligente consciente que está a questão que vamos abordar hoje: a velocidade com a qual rapidamente nos impressionamos e logo desprezamos o que a pouco nos encantou. Em outras palavras, o sabor de um momento ou conquista que logo perde o sentido. Saber identificar e como se policiar, acredite, fará grande diferença em nossas vidas. 

Vamos fazer um exercício cerebral, brincar com a imaginação e voltar há alguns séculos atrás, vamos imaginar que estamos fazendo uma longa viagem a cavalo em numa noite fria e estrelada, com um grupo de companheiros sentados em frente a uma fogueira após a refeição enquanto tomávamos um vinho. Se um entre os presentes começasse a falar que num futuro não muito distante, haveria um objeto gigante feito com material tão rígidos como o aço das espadas, que voaria muito mais alto e mais veloz que as águias, está "coisa" transportaria mais pessoas juntas que uma manada de cavalos pudesse levar ao mesmo tempo. Bem, dependendo da credibilidade que esta pessoa tivesse perante o grupo, seria motivo de piadas ou estabeleceria um pânico entre seus amigos, não acha? Pois bem, ótimo que você percebeu que estávamos falando do avião, que um dia era algo mais que fantástico, era impossível, hoje é real, comum e até banal. 

Se hoje alguém lhe disser que é “mágico” um avião voar, ou alguém falar ao telefone, ou um jogo de futebol ser exibido para todo o planeta em tempo real, certamente isso seria motivo de piada. Mas se fosse falado em alguma destas possibilidade há alguns séculos atrás, isso seria completamente inconcebível. As nuvens flutuando no céu, a chuva que molha a terra, as plantas que crescem em todos os cantos, as pedras gigantescas no alto das montanhas, os animais que nascem e imediatamente buscam alimento e calor junto a mãe, a terra girando em torno do sol fazendo em sincronia movimentos de rotação e translação, suspenso no ar, balançando as águas dos oceanos. O vento que balança as árvores, plantas, e tudo mais que a natureza criou. Qual seria a reação de um adulto que visse algum destes comum espetáculos pela primeira vez? Todos nós passamos por uma fase de “descoberta, encantamento e, por conseguinte, um natural desprezo”, é comum com o tempo banalizarmos nossas conquistas. Quando temos este conhecimento e traduzimos isso para nossa particular realidade, muitas vezes nos damos conta de que nos sentimos infelizes mesmo hoje tendo o que um dia sonhamos ter. É importante lembrar que, certamente muitas pessoas desejam estar onde você chegou, ter o que você conquistou, ser o que você é. Portanto, busque sempre o novo, mas valorize o que você conquistou, pois só assim as suas próximas conquistas lhe farão muito mais feliz. 

É importante falarmos aqui que esta constante busca pelo novo tem seus propósitos e lado positivo, afinal de contas proporcionou o desenvolvimento que a humanidade obteve, pois se não tivéssemos esta sede pelo novo, quem nos garante que não estaríamos ainda nas cavernas ou tivéssemos avançado muito pouco se comparado onde chegamos. Ainda somos muito limitados em algumas questões conscientes, pois "quando conhecemos os mecanismos, o milagre passa a ser comum". Ao entendermos como funciona uma determinada coisa, logo a ciência daquele fato nos faz perde o brilho, o encantamento, a magia. 

Devemos desejar as grandes conquistas, mas valorizar os pequenos detalhes. Os tubarões tem a capacidade de sentir cheiro de sangue a centenas de metros de distância, seu olfato aguçado colaborou para os manter vivos ao longo dos séculos. Existe uma teoria que os índios ficaram olhando as caravelas dos portugueses por longo tempo, pois não tinham informações para decodificar aquelas imagens nunca antes por eles vista. De posse destas informações, acabamos de obter mais uma grande ferramenta ao nosso favor. Nos damos conta deste processo natural de desvalorização das conquistas que sofremos e assim avançamos bastante, pois, da próxima vez que passarmos por este processo rapidamente, identificaremos, afinal de contas, que só seremos capazes de reconhecer o que já conhecemos.

Acredite em seus objetivos e sonhos, construa a realidade, valorize suas conquistas, cultive o hábito de contemplar a beleza das coisas como se fosse a primeira vez, acredite, isso lhe fará muito mais feliz. Albert Einstein dizia que: “só há duas formas para viver a sua vida, a primeira é acreditar que não existem milagres, a outra é acreditar que todas as coisas são milagre”. Eu acredito na segunda. Siga seu caminho valorizando cada passo dado. Afinal de contas, tudo muda quando se conhece “o mecanismo do milagre”. 

Hugo Richard

Dúvidas, comentários, elogios ou críticas, escreva pra mim:

hugorichardb@hotmail.com